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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, neste domingo (22), sua intenção de comunicar ao presidente americano, Donald Trump, que o Brasil não tem interesse em participar de uma nova ‘Guerra Fria’.
Em entrevista coletiva concedida em Nova Déli, ao finalizar sua agenda na Índia, Lula enfatizou que o país não deseja priorizar nações específicas, buscando estabelecer vínculos de igualdade com todos os parceiros internacionais. Segundo ele, o objetivo é garantir um tratamento mútuo baseado na paridade para que as relações globais retornem à normalidade.
Lula ressaltou o desejo de retomar uma convivência “respeitosa e civilizada”. Ele antecipou que sua pauta será extensa, abrangendo comércio, acordos educacionais, a situação dos brasileiros residentes nos EUA e investimentos americanos no Brasil.
O presidente reforçou a importância do diálogo direto, mencionando que já expressou a Trump, por telefone, a necessidade de uma conversa franca e face a face para alinhar as expectativas entre as duas potências.
Lula garantiu que não haverá restrições de temas nas conversas, citando áreas como a segurança pública e a exploração de minerais críticos. Ele ponderou, entretanto, que a transformação desses recursos deve ocorrer em solo brasileiro, evitando repetir modelos de exploração predatória do passado, como ocorreu com o ferro. Para fortalecer essa estratégia, mencionou o papel do Conselho Nacional de Política Mineral.
Quanto ao enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado, o presidente informou que representantes da Polícia Federal e da Receita Federal integrarão a comitiva. Lula demonstrou abertura para uma cooperação ativa na linha de frente contra o narcotráfico, desde que haja disposição do governo americano, inclusive solicitando a extradição de criminosos que se encontram nos Estados Unidos.
Tarifas
A respeito da revogação das tarifas impostas por Donald Trump pela Suprema Corte dos EUA, Lula afirmou que não cabe a ele interferir em decisões judiciais estrangeiras. O presidente observou que o cenário já vinha sofrendo alterações pelo próprio governo dos EUA e que a justiça americana acabou por contrariar as teses de Trump. Ele destacou que respeita a autonomia das instituições, assim como faz em relação ao judiciário brasileiro.
Apesar de evitar um julgamento de valor sobre a Corte, Lula avaliou que a decisão trouxe um “alívio” econômico para diversos países, reduzindo alíquotas que chegavam a 50% para um patamar de 15%. Ele recordou que o Brasil foi atingido de forma atípica pelas taxas anteriores e criticou a adoção de medidas econômicas via redes sociais (Twitter), afirmando que o governo brasileiro agiu com a prudência necessária diante da situação.
O presidente reiterou a importância de discutir a democracia com Trump, considerando que ambos lideram as maiores nações democráticas do continente, e defendeu que o tema seja tratado com máxima responsabilidade durante o encontro presencial.
Carnaval
Ao ser indagado sobre a polêmica envolvendo setores evangélicos e um desfile da escola Acadêmicos de Niterói — que o homenageou com uma ala sobre “famílias em conserva” —, Lula declarou que não possui envolvimento com a organização do Carnaval. Ele esclareceu que não participou da composição do samba ou da concepção das alegorias, tendo sido apenas o homenageado da noite.
O presidente destacou que o enredo focou na trajetória de sua mãe, Dona Lindu, e na migração de sua família para São Paulo. Segundo Lula, sua função foi apenas aceitar a homenagem, sem interferir no conteúdo artístico. Ele lamentou que sua mãe não estivesse viva para presenciar o tributo e manifestou o desejo de visitar a agremiação para expressar sua gratidão pessoalmente.








